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A importância da iluminação na montagem de exposições

  • Foto do escritor: Carla Ogawa
    Carla Ogawa
  • 24 de out. de 2024
  • 4 min de leitura

Atualizado: 19 de jan.

Como a luz transforma o espaço? A importância da iluminação na montagem de exposições


A iluminação desempenha um papel fundamental na montagem de exposições, não apenas para garantir visibilidade, mas também para transformar a experiência do visitante. Ela vai além de meramente iluminar o espaço, influenciando diretamente a percepção, o foco e as emoções do público. Um design de iluminação eficaz pode fazer uma exibição se destacar, criando uma experiência imersiva e realçando a narrativa da exposição.


Foto: Fernando Silveira -  Exposição de Alice Brill, no Museu de Arte Brasileira, SP
Foto: Fernando Silveira - Exposição de Alice Brill, no Museu de Arte Brasileira, SP

Iluminação como elemento de design


A luz é uma ferramenta poderosa para destacar objetos e guiar o olhar do visitante. Iluminação direcional e spots podem ser usados para focar em peças específicas, criando pontos de interesse claros e realçando os detalhes das obras, enquanto áreas menos iluminadas ajudam a criar contraste. Backlights e luzes difusas também adicionam profundidade, dando uma sensação tridimensional às exposições.

 

Além disso, a escolha entre luz natural e luz artificial é um dos aspectos mais discutidos em projetos de iluminação. A luz natural, quando controlada corretamente, pode proporcionar uma experiência envolvente, mas vem com desafios, como possíveis danos causados pelos raios UV e a necessidade de controle de intensidade ao longo do dia. Já a luz artificial, especialmente com as inovações em LEDs, oferece controle preciso sobre a temperatura de cor e a intensidade, permitindo que o curador ajuste a iluminação para cada tipo de obra, garantindo uma preservação adequada sem comprometer a experiência visual.


O impacto na percepção


A maneira como a luz é usada em uma exposição pode orientar a atmosfera e influenciar o estado emocional dos visitantes. A transição entre áreas mais escuras e mais iluminadas também pode controlar o ritmo da visita, permitindo momentos de contemplação em ambientes mais suaves, seguidos de destaque em peças centrais.


Tecnologia e sustentabilidade


Nos últimos anos, o uso de tecnologias de iluminação, como sensores de movimento e programação de LED, tornou-se uma prática comum em exposições. Isso permite não apenas a criação de ambientes dinâmicos, mas também contribui para a sustentabilidade, com o controle da intensidade e do uso de energia. LEDs oferecem vantagens como longa vida útil, baixa emissão de UV e IR, e uma grande variedade de opções de cores e temperaturas​.


Baixa emissão de UV e IR refere-se à capacidade de uma fonte de luz, como um LED, de emitir níveis mínimos de radiação ultravioleta (UV) e infravermelha (IR). Isso é importante em ambientes sensíveis, como museus e galerias, onde a exposição prolongada a essas formas de radiação pode danificar obras de arte, documentos históricos e outros materiais sensíveis.


  • UV (ultravioleta): Radiação que, embora invisível ao olho humano, pode causar desbotamento de cores e degradação de materiais orgânicos como papel, tecido e pinturas. .

  • IR (infravermelho): A radiação infravermelha está associada ao calor. Fontes de luz que emitem altos níveis de IR podem aquecer excessivamente os objetos expostos.


A importância da contratação de um especialista em iluminação


Muitas vezes, ao longo dos projetos já realizados, a iluminação é tratada como "toque final" de uma exposição - algo a ser decidido quando as paredes já estão erguidas e o mobiliário escolhido. No entanto, a luz não é apenas um acessório decorativo, ele é, digamos, a quarta dimensão da arquitetura. Sem ela, volumes desaparecem, cores se distorcem e a funcionalidade dos espaços é comprometida. Ele faz parte de um dos pilares centrais na execução de uma exposição.


A acessibilidade também pode ficar comprometida, por exemplo, quando você possui cores contínuas, em espaços amplos com baixa luminosidade, podem causar a sensação de continuidade, onde na realidade não há.


É neste cenário que a figura do designer de luz e sua equipe tornam-se indispensáveis para um projeto adequado e seguro.


A sinergia com a arquitetura e o design


O projeto de iluminação não sobrevive isolado. O sucesso depende de uma equipe multidisciplinar. O designer de luz trabalha em estreita colaboração com a produção, curadoria, acessibilidade, arquitetura e design visual.


Quando a equipe atua em conjunto, desde o início do projeto, soluções são viabilizadas com grande chance de sucesso, evitando retrabalhos, quebra-quebra e desperdício de tempo, principalmente.


A iluminação é integrada à estrutura, com fios bem posicionados, calhas embutidas, sancas, vitrines bem estruturadas, cargas e fiação que suportem a demanda, bem como integração com sistemas de automação e outras demandas para exposições mais complexas que exigem iluminação especial, como por exemplo, exposições botânicas.


No que diz respeito à parte logística, saber se há economia de tempo providenciando estudos e instalações no galpão da marcenaria, é um fator fundamental para redução de custos e tempo na montagem.


A entrada tardia, muitas vezes obriga o profissional a trabalhar no modo "gestão de danos", ao invés de trabalhar na criação, solução e ajustes de custos após o orçamento entregue. Para a produção, a entrada tardia de profissionais, requer retrabalho, pouco prazo para pesquisa e ajustes e as vezes redução da qualidade e gasto dobrado.


Por isso é tão importante entender como funciona esse complexo emaranhado de fornecedores, suas ações, seu tempo e as implicações que podem surgir a partir da falta de entendimento das ações globais.



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